terça-feira, 13 de setembro de 2011

Eutanásia de inverno.

"Não sei o que houve, não tenho respostas... Juro que não me lembro!"

 Num poço de lágrimas sem advogados a dor de um corpo continua ecoando enquanto à natureza devolve os átomos...

Sem clemência nem misericórdia dissolvido num desterro...

Apenas um fruto que à Virgem cósmica retorna...


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um espírito no céu


Desvendando formas sublimes e até mesmo faces de anjos estampadas naquelas nuvens logo ali no céu, iluminou-me uma ideia: nós, humanos, sempre esquecemos das nossas origens e da nossa essência; mas a natureza não.


As nuvens são A Alma dos rios, que viajam pelo não-tempo sobre nosso espaço terreno, levando as oportunidades de vida a todos lugares... Sem, entretanto, nunca esquecer a infinita sabedoria do oceano, até o dia em que a este vier a retornar.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Aconteceu...

Uma roda num lugar, alguém relembrou o passado...

Chegou até mim e disse, "Fui seu pai! Fui seu pai, e você está fazendo tudo errado.

_ Ouça bem, meu chegado: sua ligação está sendo encaminhada para caixa de mensagens e estará sujeita a cobranças após o sinal!

_ Laroyé!!!!!

_ Boooom! Sai pela direita, porra! 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Para lá de Maio, ah!

Cobre meus débitos, compartilhe meus créditos...
E por mais que impossível, 
Condense o absoluto pela dissolução do véu visível,
pois além do invisível, estará o indivisível...

Repouse os olhos do turbilhão de lágrimas,
pois nem todo bom é bonito,
e nem todo belo verdadeiro...

No jogo da vida não precisar saber jogar,
basta não cair enquanto rodar.

`.´ 7!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ao tio Marcelo DD `.´

Se todo bem fosse bonito e todo belo verdadeiro, os labirintos que encerram nossos caminhos não seriam labirintos...

Tentei ajudar uma borboleta que saía do casulo, mas não deu certo porque um urubu não permitiu. Depois de caminhar um tempo pela neve, a borboleta vermelha me alcançou, e agradeceu minha boa intenção... Mas explicou que aquele estágio de dor, angústia e superação era necessário para ela se consolidar como borboleta, e que eu não poderia comprometer o curso natural das coisas.

Como forma de agradecimento, ela me contou que ao longo daquele caminho, estavam escondidas 3 caixas, uma negra, uma branca e outra vermelha. Adiantou que dentro de cada uma delas haveria um fragmento de um espelho, que unidas formariam a peça original.

Em cada uma das etapas, deveria pagar o peso de cada uma delas em chumbo aos tutores das caixas.

Perguntei de que me serviria aquilo...

Ela explicou que nossa caminhada deve servir para restaurar a nobreza orginal da natureza humana, e que aquele espelho reconstituído passaria a brilhar como ouro depois que encontrasse meu "eu" através de minha verdadeira imagem.

Foi assim... E quanto mais caminho, mais o fardo fica leve, e mais o fogo me aquece... Pois vou cada vez mais precisando de menos vestimentas.




segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um pouco de sinceridade...

Não é que corro demais... É que fico com medo das sombras que me perseguem.

 Não é que não sou capaz de amar... É que não me convém desaprender a estar sozinho.

Não é que fiquei desiludido... É que aprendi que as pessoas podem simplesmente ser como são (ou não).

Não é que nego o tempo... É que o tic-tac do relógio me deixa muito ansioso.

Não é que sou temperamental... É que sempre existe uma maneira correta de acertar ou errar.

Não é que não tenho uma religião... É que não consigo raciocinar muito bem através dela.

Não é que não acredito em nada... É que vivo melhor com as coisas que fazem sentido.

Não é que trabalho muito... É que gosto bastante daquilo que faço (não que isso seja sempre verdade).

Não é que tenho poucos amigos... É que bichos de estimação dão trabalho demais.

Não é que sou orgulhoso... É que pelo menos um pouco de amor-próprio ainda me pertence.

Não é que como ou bebo demais... É que sou de Minas Gerais.

Não é que a ira me entorpece... É que não aguento nem falsidade e nem inadimplência.

Não é que invejo as coisas boas dos outros... É que isso me incentiva a também querer ter coisas boas.

Não é que sou avarento... É que a carga tributária do governo é muito alta.

Não é que sou preguiçoso... É que meu lar é bastante confortável.

Não é questão de luxo... É que o prazer faz bem.

Não é só questão de querer... É que também depende se posso e se devo.

Não é questão de poder... É que às vezes não quero ou não devo.

Não é só questão de dever... É que muitas vezes podendo, apenas não quero.

Simples assim... Por que complicar?

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vai, besta

Não pretendia nada, talvez apenas no máximo nadar um pouco...

Caminhava solitário na calmaria da baixa temporada, refletindo profundamente sobre a brevidade da vida e na complexidade da felicidade. Estava ali pela minha autossuficiência de poder caminhar e do poder aquisitivo de poder estar ali, pois muitos não estavam.

Fui para rever um velho amigo, enquanto meu olhar esbarrou com uma velha amiga mais velha ainda... A lua cheia exuberante se impondo timidamente no azul do entardecer...

Segui ensimesmado admirando o céu de brigadeiro, enquanto me arrepiava com a água que beijava o sorvete de creme feito de areia... E nessa tarde tão doce, analisando a vida e reforçando o significado da amizade, enxerguei uma criança absolutamente compenetrada numa tarefa que julguei bastante inviável...

À medida que me aproximava dela, fui desvendando que seu propósito era realmente aquele que havia suposto.

Aquele menino de rosto angelical estava contando grãos de areia... Me aproximei e tentei puxar assunto, mas ele me desdenhou absolutamente. Não contente com a indiferença, disparei uma flecha verbal em sua direção...

" _ Viu, garoto, você nunca vai conseguir contar todos os grãos de areia dessa praia!"

Ao que me fora respondido:

" _ Não preciso contar tudo, só o que está em minha mão. E é mais fácil eu conseguir contar esses grãos de areia do que você entender a brevidade da vida ou o real significado da amizade, porque isso só Deus sabe!"

Nesse instante um cão surgiu sei lá de onde e me olhou profundamente nos olhos, babando de vontade me devorar...

A criança ria de dar gosto enquanto eu me borrava... Até que o menino chamou o cão e saíram fraternalmente correndo pela praia, até eu os perder de vista...

Lembrei de um livro que li há muito tempo, do Paulo Coelho... E decidi onde será minha nova caminhada.

`:´