sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

3!


O primeiro passo para “expandir a consciência” é não perdê-la. O segundo é desconstruir os preconceitos; e o terceiro, começar a construir as próprias ideias.
1.       Relativo às consequências ao longo do “prazo funcional do aparelho” quanto às escolhas pelo bem ou pelo mal, dispensa-se julgamento prévio, posto que a consciência naturalmente prossiga enquanto a reputação nos precede.
As pessoas só praticam o mal, a violência, na falta de oportunidade de manifestarem amor próprio ou recíproco.  A verdade é que muitas das pessoas gostam daquilo que faz mal a elas. Essa incoerência desencadeia a perda da consciência, proclamada em alto e bom tom pelas “pulsões de morte” que emergem junto das manifestações comportamentais no momento em que se perde o autocontrole. Assim o flagelo se propaga.
2.       A desconstrução dos preconceitos não é um movimento de causa, mas sim uma consequência intrínseca do “conhece a ti mesmo”, quando se deixa de ver em partes e passa a enxergar face a face.
Admitir as práticas de violência pode ser uma via para não mais aceitá-las. Quem investe em reconhecer o passado pode ficar livre de cometer os mesmos erros. Uma pessoa atrasada só precisa adiantar seu relógio, conciliando o tempo próprio de fazer as coisas com o tempo dos outros, pois o Tempo é só uma questão de referencial para se localizar no Espaço.
3.       A construção das próprias ideias é simultânea à desconstrução dos preconceitos, pois o autoconhecimento é um processo dinâmico cuja propulsão deve se dar pela constante investigação filosófica acerca das pluralidades fenomenológicas, epistemológicas, historicistas e empíricas do sujeito consigo e das suas relações interpessoais na sociedade a qual pertence.
É reunindo os fragmentos do saber obtidos dos materiais de investigação que se dá a referida construção dos próprios ideais. Fique claro que a arquitetura aplicada à edificação de ambientes saudáveis para germinação das boas novas ideias deve ser elaborada e aferida sob o respaldo de índices representativos dos valores de elevação moral e espiritual.
Dessa forma, a expansão da consciência se torna consistente porque coincide com o aumento da capacidade de enxergarmos as coisas da vida intuídos positivamente pelo Sistema de Forças Sutis que atuam sob o véu que nos interrompe da Verdadeira Realidade.


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fides et Ratio


CONHECE-TE A TI MESMO

1. Tanto no Oriente como no Ocidente, é possível entrever um caminho que, ao longo dos séculos, levou a humanidade a encontrar-se progressivamente com a verdade e a confrontar-se com ela. É um caminho que se realizou — nem podia ser de outro modo — no âmbito da autoconsciência pessoal: quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo, tanto mais se conhece a si mesmo na sua unicidade, ao mesmo tempo que nele se torna cada vez mais premente a questão do sentido das coisas e da sua própria existência. O que chega a ser objecto do nosso conhecimento, torna-se por isso mesmo parte da nossa vida. A recomendação conhece-te a ti mesmo estava esculpida no dintel do templo de Delfos, para testemunhar uma verdade basilar que deve ser assumida como regra mínima de todo o homem que deseje distinguir-se, no meio da criação inteira, pela sua qualificação de « homem », ou seja, enquanto «conhecedor de si mesmo ».

Aliás, basta um simples olhar pela história antiga para ver com toda a clareza como surgiram simultaneamente, em diversas partes da terra animadas por culturas diferentes, as questões fundamentais que caracterizam o percurso da existência humana: Quem sou eu? Donde venho e para onde vou? Porque existe o mal? O que é que existirá depois desta vida? Estas perguntas encontram-se nos escritos sagrados de Israel, mas aparecem também nos Vedas e no Avestá; achamo-las tanto nos escritos de Confúcio e Lao-Tze, como na pregação de Tirtankara e de Buda; e assomam ainda quer nos poemas de Homero e nas tragédias de Eurípides e Sófocles, quer nos tratados filosóficos de Platão e Aristóteles. São questões que têm a sua fonte comum naquela exigência de sentido que, desde sempre, urge no coração do homem: da resposta a tais perguntas depende efectivamente a orientação que se imprime à existência.

2. A Igreja não é alheia, nem pode sê-lo, a este caminho de pesquisa. Desde que recebeu, no Mistério Pascal, o dom da verdade última sobre a vida do homem, ela fez-se peregrina pelas estradas do mundo, para anunciar que Jesus Cristo é « o caminho, a verdade e a vida » (Jo 14, 6). De entre os vários serviços que ela deve oferecer à humanidade, há um cuja responsabilidade lhe cabe de modo absolutamente peculiar: é a diaconia da verdade. (1) Por um lado, esta missão torna a comunidade crente participante do esforço comum que a humanidade realiza para alcançar a verdade, (2) e, por outro, obriga-a a empenhar-se no anúncio das certezas adquiridas, ciente todavia de que cada verdade alcançada é apenas mais uma etapa rumo àquela verdade plena que se há--de manifestar na última revelação de Deus: « Hoje vemos como por um espelho, de maneira confusa, mas então veremos face a face. Hoje conheço de maneira imperfeita, então conhecerei exactamente » (1 Cor 13, 12).

3. Variados são os recursos que o homem possui para progredir no conhecimento da verdade, tornando assim cada vez mais humana a sua existência. De entre eles sobressai a filosofia, cujo contributo específico é colocar a questão do sentido da vida e esboçar a resposta: constitui, pois, uma das tarefas mais nobres da humanidade. O termo filosofia significa, segundo a etimologia grega, « amor à sabedoria ». Efectivamente a filosofia nasceu e começou a desenvolver-se quando o homem principiou a interrogar-se sobre o porquê das coisas e o seu fim. Ela demonstra, de diferentes modos e formas, que o desejo da verdade pertence à própria natureza do homem. Interrogar-se sobre o porquê das coisas é uma propriedade natural da sua razão, embora as respostas, que esta aos poucos vai dando, se integrem num horizonte que evidencia a complementaridade das diferentes culturas onde o homem vive.

Texto extraído da Carta Encíclica Fides et Ratio do Sumo Pontífice João Paulo II aos bispos da Igreja Católica sobra as relações entre fé e razão.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Nascer num  lugar sempre me pareceu fazer um sentido quase inflexível de que se deveria falecer ou pelo menos ser enterrado naquele mesmo lugar. Mas incorporar definitivamente valores coletivos conscientes e/ou inconscientes daquele mesmo lugar aí já seria uma outra variável  bastante questionável.
No lugar onde nasci, aqueles que moravam em lugares altos eram demasiadamente otimistas, meio irresponsáveis, tendiam à obesidade e normalmente possuiam alguém que arcava pela responabilidade dos seus atos.
Os que se desenvolviam em lugares quentes demais, tipo quartinhos de casas pequenas com muitos habitantes e sem ventilação eram explosivos, magros, com muita tendência ao uso de canabis e tinham uma propensão incalculável a ficarem “ricos”.
Conheci também alguns que moravam nos “fundos”. Pouca ventilação, pouquíssima luz, vício em internet, pouca vontade sair de casa e muitos fungos; as poucas e transitórias pessoas frequentando seus habitats eram somente pela “trocas simbióticas” subterfugiadas na necessidade do pagamento da luz…. Corpulentos, indiferentes, luz propriamente dita era verde e a escadaria enorme….
Quando o lugar onde nasci foi de fato se tornando irrevogavelmente mais que pleonasticamente a mim mesmo transitório,  hoje percebo que padecia pertencente aos tipos melancólicos e comecei a  me negar…  Católico praticante namorador de namoradeira católica praticantíssima e filho de pai que abandonou o seminário pelo dom do matrimônio e suas sinistras e sinestésicas deriváveis…   Enquanto eu, definitivamente, um introspectivo pessimista muito magro. O tempo passou e me engordou…
Profissionalmente me tornei um dentista auto-suficiente, com pouquíssimos amigos leais que mal enchem uma mão mas que me permitem analisar bem a vida que levo…
E assim, sempre que estou mal, pelo espelho me olho e digo: que seja assim… Uai! Ou então volta pra tua pra terra como pedinte bonado cheio de diplomas e dedos secos, onde serás enterrado, sem nem ter vivido nem feito, nem chorado, nem se preparado, nem frustrado, nem prosperado, nem treinado. Onde só será um pedaço de papel pendurado, noivado, casado, nada mais que um ego despeçado, dependente de psiquiatra migrado… ou escravo de confessionário confessando pecados alheios acreditando que o tal do deus insiste me testando pela dor enquanto existem povos das mais diversas linguas dos mais diversos cantos do mundo vivendo suas vidas, e que eles sim são a manifestação de Deus como eu sou sob o mesmo Sol, e que ir até esses lugares é só questão de escolha…
Mas a proposta aqui é tentar tornar o conteúdo acessível a tantas vidas que sabem exatamente o que estou dizendo, e que estão de queixo caído… Sabendo exatamente o que estava ecoando na vergonha do espelho na sua frente.  Isso aqui é um texto pra pessoas normais. A verdade não é para impenetráveis, a verdade é para nós mesmos, eu e você.
Um Cara com muita paciência resolveu me ensinar e a sensação é tão boa que não tem como não como não propagar.

Dedicado ao Paulo Tamburini e à família que não intencionalmente atormentei sem deixar dormir por passar a noite inteira digitando na cidade de Juruaia na madrugada do dia 27 pra 28/12/2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Perdão


E de repente quando tudo muda nós podemos perder a oportunidade de acompanhar as mudanças porque outrora nos tornamos escravos de atitudes mal tomadas após ideias mal pensadas... Pelo eterno anseio de sermos os inúteis protagonistas dos romances vazios que contam as repetitivas histórias do egoísmo.


Pare de reclamar das pessoas erradas que passam pela sua vida. Já é chegada a hora de perceber que esses encontros devem servir para você tentar se tornar uma pessoa certa na vida delas.


Perdoar não é fomentar a injustiça. 


Deixe que se vá, deixe que se volte, mas não se revolte. 


O acaso cuidará do que passou.


Abra as portas para novas oportunidades, e feche as do passado. Mas muita atenção: entregue as chaves só para quem valeu a pena.


É melhor se decepcionar com algumas pessoas a sempre viver esperando o pior de todos.


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sábado, 29 de outubro de 2011


Certamente que até semana passada grande parte do mundo nunca ouvira falar do Sr. S. Jobs. 

Um dos mitos mais conhecidos da humanidade trata de jardim do Éden, onde os primeiros humanos criados por Deus, a sua imagem e semelhança, viviam imortais, ociosos e aparentemente felizes. Isso foi até que eles resolveram comer os frutos (o mito fala em maças) da árvore do conhecimento do bem e do mal, da qual Deus havia alertado que eles não deveriam comer, ou conheceriam a morte. E o resto todos já sabem: Deus ficou furioso e os expulsou do Éden apenas com alguns trapos feitos de couro de animais, pois que agora um se envergonhava da nudez do outro. E Adão e Eva povoaram o mundo, muito embora o pecado de Eva tenha nos amaldiçoado por muitos e muito anos, até que Jesus veio pagá-lo para nós.

É conveniente saber discernir o conteúdo metafórico dessa passagem, embora ainda, já no século XXI, há quem a defenda com unhas pela dentes sua interpretação literal.

Voltando ao Sr. Jobs, prossigo relembrando a primeira vez que vi a logomarca da Apple. Achei magnífica a sensualidade implícita de tão antiga simbologia agora então usada para marcar seus produtos.

Quando fui professor de ensino médio e pré-vestibular há alguns anos, comecei perceber uma certa movimentação no inconsciente coletivo daquelas 6 gerações com que trabalhei que me preocupava.

Na minha época de ensino fundamental e médio, o alunos menos dedicados ao estudo jogavam bola, empinavam pipas, conheciam as primeiras namoradas no catecismo e a enérgica influência da sexualidade mais ou menos na época da crisma. Alguns raros tinham vídeo-game, porque este era muito caro. Computador então era no máximo o quase inatingível 386. Quem se lembra...

Entretanto, as gerações às quais lecionei biologia já fervilhavam no fenômeno da internet. Tudo era pesquisa na internet! Símbolo da modernidade e tudo mais.

O que me preocupava era esse mundo de entretenimento virtual que começava a desvirtuar o processo educacional. O bom e velho quadro negro, bem como as piadinhas dos professores arcaicos, se tornaram ainda mais sem graça do que nunca.

Observei que a febre dos computadores se devia aos entretenimentos gerados pela web. Sendo uma premissa verdadeira, concluí que se o sistema de ensino, bem como as instituições educacionais, se não se tornassem divertidas para os alunos, atraindo a atenção deles para a escola, em pouco tempo haveria um colapso intelectual generalizado, onde as pessoas se tornariam dependentes das redes sociais e dos modelos sociológicos virtuais...  - Será????


Que fique claro que o senhor S. Jobs desenvolveu uma nova realidade da interface homem maquina. 


Devemos entender que esta nova possibilidade contemporânea representada pelo fruto do bem ou mal reidealizado mitologicamente por Jobs possa orientar as novas gerações na utilizacao consciente do progresso.


Sem mais. 


Fabricio da Ferradura `.' .




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jesus, a atéia e a cigana


 Talvez tenha sido por ter reparado na ausência de alianças nas suas mãos, ou pelas várias vezes que vira Helena mecanicamente sentar-se e almoçar sozinha no restaurante/café logo à frente. O fato foi que num certo dia, quando Helena passava mais uma vez por aquela esquina, a Cigana que às vezes aparecia por ali disse a ela que sempre seria só enquanto acreditasse que o amor é ridículo.

Helena, quando escutou isso, sentiu um intenso arrepio subindo pela cervical, acompanhado de um constrangimento equivalente àquele de quando uma pomba defeca na sua roupa branca bem no meio da rua.

Voltou-se à cigana e perguntou:

_ O que disse?

_ Você ouviu muito bem... Se quiser posso ler suas mãos...

Mesmo sendo uma cética consciente de que alguma manifestação não verbal pudesse ter dado pistas sobre esse seu lado pessoal, ou um simples chute intuitivo daquela senhora exótica de dentes dourados, ainda assim submeteu-se à prática quiroscópica da Cigana.

_ Vejo que usa um crucifixo de ouro no pescoço... O que me faz entender que seja cristã...

“Mas isso qualquer um pode concluir...” pensou Helena fingindo simpatia, e para não ficar ruim, complementou dizendo que foi um presente de sua mãe.

_ Mas aqui está claro que não acredita nesse Jesus cuja insígnia carrega próxima ao seu coração.

_ Realmente não acredito. Nem em religião, nem em Jesus, e nem muito menos em qualquer coisa que a senhora pode vir a me dizer.

_ Então por que aceitou que analisasse sua mão?

_ Para provar que tudo isso é ridículo. Você sabia que nem mesmo historiadores ou arqueólogos encontraram provas conclusivas sobre a existência de Jesus?

_ Não sei o que essas pessoas fazem... me perdoe a ignorância. Mas mesmo assim, se tivessem as ditas provas concretas da existência corpórea de Jesus, isso serviria para comprovar seus ensinamentos e milagres ou serviria para classificá-lo como sendo uma pessoa comum, igual a nós, e portanto sendo indeferida toda sua Santidade?

_ Não sei. Sei que para mim isso não faz diferença nenhuma.

_ Não faz sentido que aprender a pensar sobre isso pode conectá-la ao verdadeiro sentido do amor?

_ O que não faz sentido é uma Cigana defendendo o cristianismo como sendo detentor da verdade sobre o amor.

_ Minha jovem, saiba que nenhuma religião ou ciência é superior à verdade.

_ Certo, então faça uma previsão sobre meu futuro. Não é pra isso que estamos aqui?

_ Mas foi a primeira coisa que fiz... “...que sempre seria só enquanto acreditasse que o amor é ridículo.”

_ Então não tenho mais motivo para prosseguir a conversa. Quanto custa a consulta?

_ Por que não me dá essa sua joia no pescoço? Parece não ter nenhum valor para você.

_ Acha que pagarei o peso em ouro por essas suas verdades? Saiba que as pessoas pagam para escutar o que querem ouvir. Pagam pelo que as dá prazer, pelo que as enche de esperança. Por isso a televisão e as religiões fazem sucesso. No mundo em que eu vivo não existem milagres, e ser só é uma das maneiras práticas de melhor aproveitar o pouco tempo de vida própria que possuo. Fique com o troco!

E assim terminou a indigesta quiromancia daquela tarde de inverno. Helena seguiu rumo ao hospital onde trabalha. Ela faz diagnósticos de câncer de cabeça e pescoço, delimitando a amplitude da amputação ou a expectativa de vida dos donos das imagens que analisa. Interessante é que ela sempre faz o sinal da cruz quando termina um laudo.

Fabrício M. Oliveira

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A realidade não pode ser medida pelo que podemos ver, mas sim pelo quanto conseguimos imaginar.


Às vezes  habitantes das trevas me visitam. Cheguei inclusive a formular a hipótese de que a decisão dessas aparições talvez não fosse opção arbitrária minha, mas talvez sim de uma possível habilidade especial outorgada a mim pela hierarquia administrativa e burocrática do Além.
Em oposição absoluta à tal hipótese sugerida anteriormente, afirmo sóbrio que a âncora da razão pura que de fato me conserva como um ser biológico e material pertencente ao Aquém -  que se distingue das abstrações côncavas ou convecças -, por ser em si a factual Realidade Física; entendo logicamente que na verdade ludibriei-me o plano psicomental ao viver negociando passivamente meus sentimentos em território imaginário com as projeções personificadas dos meus desejos, ao disponibilizar minha sensorialidade como espécie “prestação de serviços” àqueles que supostamente moram em algum lugar entre o lá e o aqui, obtendo em troca a satisfação de todos meus desejos sem a carga subjetiva da responsabilidade de responder pelas consequencias dos meus atos em vista de tudo isso.
De qualquer maneira, sejam elas circunscritas ao imaginário e/ou dotadas de materialidade bastante sutil, imperceptíveis aos sentidos quantitativos, o fato é que, fenomenologicamente, isto é, da maneira como o mundo se apresenta circinstancialmente defronte meu entendimento, as entidades das trevas de fato existem… Pois elas me visitam.
Exatamente por não vê-las, recorro aos ídolos dispersos nas mais diversas convicções visando personificar esses meus sentimentos mais íntimos. Nesse âmbito, tecnologias e teorias filosóficas que corroboram a ciência cartesiana dividem saudavelmente seu espaço com as religiões que exautam o Sagrado que habita algum lugar importantíssimo do meu interior.
Por objetivamente não afirmar que as ouço como um som que agita meus tambores timpânicos, assim pois não me encontro interno de um sanatório psiquiátrico. Não há em mim a doença mental, apenas sim a emocional. E isso é absolutamente tratável.
Imaginando por tentativas e erros estar reagindo coerentemente aos estímulos incognoscíveis, vou destilando fragmentos do agora através de pesquisas e experimentações derivadas do meu desenvolvimento físico-mental-abstrato.
Obviamente a definição de toda essa contradição pode ser resumida como Loucura. Tristeza e felicidade passam a ser tão elásticas que pela falta de consistência acabam dissolvendo as falsas importâncias, que na prática colorem de cinza o sentido da vida.
Não sou louco no sentido de doença porque a loucura clínica é uma equação derivada da genética inscrita em nossas biomoléculas essenciais, manifestadas no emergentismo físico e mental, absolutamente tratável pela medicina contemporânea, caso necessário o tratamento.
Também não sou louco porque por mais imperfeita signifique a luz que aos olhos alheios se me reflete, aindo respeito todos direitos que entendo como tais e portanto intrínsecos a todas formas daquilo que compreendo como sendo Vida.
Conheço bem os traços genéticos que orquestram silenciosa e sutilmente as manisfestações comportamentais dos meus consaguíneos. Não há loucura…
Mas mesmo não sendo um louco “stricto senso” (sentido restrito) ainda  assim me consideram como tal.
Contradizendo minha concepção que fora formulada de que alguem que precisa de ajuda não pode se autoajudar, declaro neste complexo ensaio sobre sobriedade e loucura que não preciso mais sustentar o título de louco e atrás dele não devo me esconder… Porque finalmente entendi que as trevas que me enlouquecem são as vozes loucas que imagino estarem debochando de mim. Talvez o inferno seja os outros. E é melhor acreditar que toda forma de agressão vinda deles é na verdade um pedido de ajuda. O mesmo vale para todas conseqüências negativas do meu egoísmo, que entendo ser a semente essencial de qualquer tipo manifestação agressiva.
A realidade não pode ser medida pelo que podemos ver, mas sim pelo quanto conseguimos imaginar.